Uma sociedade a reaprender – um negócio a viabilizar

Uma sociedade a reaprender – um negócio a viabilizar
A opinião de Jorge M. M. Fontes – Managing Partner na AIC.4B

Os desafios empresariais passam sempre pela tentativa de fazer mais com menos, numa permanente persecução da optimização do negócio e da melhoria do retorno do investimento, seja este em capital financeiro, intelectual ou temporal.

Em termos industriais, continuamos a envidar esforços em muitos sectores para percecionar a abrangência e integrar os conceitos da Indústria 4.0, quando em muitas empresas e nos mais diversos ramos, os conceitos da 3.0 estão ainda por implementar. Mas já se aflora o embrionário conceito 5.0… uma nova revolução conceptual? Talvez, embora na mais absoluta honestidade, não traga nada de absolutamente novo, apenas um regresso ao passado, onde a abundância obrigava a ingenuidade para obviar ao desperdício.
 

A “novidade” da economia circular, remete muitos de nós para um passado não muito distante, ainda que em abono da verdade tenha sido no milénio anterior, onde as nossas cidades tinham sistemas integrados de transportes eletrificados e as bebidas engarrafadas, em muitos casos, eram de embalagens retornáveis. O crescimento económico global, alavancado num grande desenvolvimento tecnológico e industrial, permitiu à humanidade um desenvolvimento económico e cultural sem paralelo na sua história. Por outro lado, este ritmo colocou imensa pressão nos recursos do planeta e também na gestão empresarial, que teve de adquirir ritmos e processos capazes de responder às solicitações de mercado.

Compete a todos que estão no mundo empresarial, seja industrial, agrícola ou de serviços, tomar consciência do valor dos desperdícios que são gerados nos seus processos de negócio. Segundo a “Allied Market Researh”, o setor de Gestão de Resíduos previa um crescimento médio anual de 5,5% no período de 2020-2027, tornando-se numa das mais lucrativas áreas de negócio. Muitas vezes obcecados que estamos em aplicar o conceito de “Mais” como medida de sucesso empresarial, esquecemos de que “Melhor” é de facto a medida mais relevante. É aqui que muitas vezes confrontamos culturas e abordagens, onde muitas vezes a nossa competitividade é colocada em causa – porque ninguém duvida da capacidade de trabalho dos portugueses e do valor que colocamos no seu exercício – no entanto, os macro indicadores são-nos ciclicamente desfavoráveis, sendo a sua resolução um desígnio empresarial que temos de assumir.
 
A solução passa pela fase da concepção, tantas vezes pressionada e comprimida de forma a passarmos a uma rápida execução que permita visualizar resultados práticos. É durante esta fase conceptual que se tem de abordar a eliminação à nascença de desperdício: segundo o Toyota Production System (TPS) “8 Muda” (“Muda” em japonês significa desperdício), “TIMWOODS” na sua versão anglo-saxónica, conceitos aplicáveis a todo e qualquer processo empresarial, com um forte impacto na redução da sua estrutura de custos, tantas vezes desvalorizado quando estamos focados nas vendas, no preço, na quantidade.

A introdução dos conceitos da Indústria 5.0 contempla uma abordagem similar, mas simplificada, focada numa economia circular, enquadrada nos “EU Sustainable Development  Goals Framework”, aplicando conceitos de eliminação conceptual, de “upcycling” e de valorização inovadores, mas cuja base primordial é o combate ao desperdício, o bom-senso e o pragmatismo económico e social. 

O sucesso destas abordagens será tão mais rápido quanto maior for a validação do impacto económico nos negócios, algo que só poderá despontar como uma ato de gestão consciente e estratégico.
 

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