Participação especial AEP

Mercado de trabalho e ambiente económico global
As necessidades de competências do capital humano

Face ao impacto da pandemia por Covid-19, o ambiente económico global e, em particular, o mercado de trabalho estão perante enormes desafios. Aliás, já antes estavam. A crise pandémica veio acentuar e acelerar a adoção de estratégias para responder aos desafios já existentes, de que é exemplo a economia digital, e veio acrescentar outros.

Para além da perda de vidas humanas (sem dúvida o pior impacto desta crise sanitária), assistimos a uma inversão nas trajetórias do crescimento económico, com uma profunda recessão; da intensidade exportadora; do saldo externo positivo; da consolidação das contas públicas e do Mercado de Trabalho, com subida do desemprego e redução do emprego, que só não foram mais significativas em virtude da resiliência que os nossos empresários têm demonstrado, bem como das políticas públicas de proteção do emprego, com destaque para o regime de lay-off simplificado.

Por força das circunstâncias, parte significativa dos portugueses "despertou" para esta realidade. Por isso, é fundamental a melhoria da capacitação das empresas ao nível das competências digitais, mas também de outras competências mais adequadas a um mercado de trabalho em acelerada mudança, fruto também da revolução tecnológica em curso.


Portugal compara muito mal no que tem a ver com os níveis de Educação/Formação dos seus recursos humanos. Os dados da OCDE são muito claros a este respeito.

As baixas qualificações têm implicações na produtividade, que em Portugal está bastante abaixo da média da europeia. Contudo, aumentos de produtividade são essenciais para elevar o potencial de crescimento económico, proporcionar melhores remunerações e atrair e reter recursos humanos qualificados.

Esta capacitação ao nível do capital humano exige uma atuação em termos de (re)qualificação dos ativos, empregados e desempregados, mas também dos empresários. Por esse motivo, assume uma grande centralidade na ação da AEP, através da sua área de Formação.

Esta é uma matéria que está na agenda das prioridades da AEP, desde a sua fundação, em 1849, tendo sido pioneira na introdução do ensino profissional em Portugal, com a criação em 1852 da primeira Escola Industrial do país.

Investir na formação profissional é uma das formas mais eficazes de demonstrar aos cidadãos a confiança no futuro: acreditamos na economia, valorizamos o contributo de cada um, trabalhadores ou empresários. Em épocas de crise económica como a que atravessamos, a formação profissional pode preparar as pessoas e o país para a transformação económica em curso e para a retoma subsequente.

Estamos no momento certo para desenvolver este tema atendendo a que o modelo linear clássico “Pessoas – Academia – Empresas” já não responde às necessidades das empresas. É imperativo caminhar no sentido de uma cultura assente no modelo circular, contínuo, em que Academia, Pessoas e Empresas interagem de forma continuada, tendo em conta a evolução acelerada das profissões, quer as emergentes, quer as que estão em declínio. O desafio que se coloca às competências situa-se ao nível do upskilling para os ativos com baixas qualificações e do reskilling para os ativos com qualificações sem aceitação no mercado de trabalho.

A informação de 2018 do CEDEFOP ainda situava o skills mismatch em Portugal em 42,7%, sendo que o valor mais baixo na Europa era de 16%.  A AEP, sendo uma associação multissetorial, regista uma mudança do paradigma da formação técnica especializada para o desenvolvimento de competências-chave que promovam a mobilidade e o desenvolvimento de carreira. No fenómeno da transformação digital, por exemplo, o foco está no treino de competências portáteis que permitem ao indivíduo e às empresas não se sentirem lost in transition. O desenvolvimento destas áreas terá impacto também na forma como as pessoas trabalham, como o trabalho é organizado e como as pessoas aprendem, pelo que há uma transversalidade geracional e setorial.

A Recomendação do Conselho Europeu de 2018 sobre as Competências Essenciais para a Aprendizagem ao Longo da Vida estabelece no Quadro de Referência oito competências essenciais: de literacia; multilingues; na matemática e no domínio das ciências, da tecnologia e da engenharia; digitais; pessoais, sociais e capacidade de “aprender a aprender”; de cidadania; de empreendedorismo; e de sensibilidade e expressão culturais.
 

"Investir na formação profissional é uma das formas mais eficazes de demonstrar aos cidadãos a confiança no futuro: acreditamos na economia, valorizamos o contributo de cada um, trabalhadores ou empresários."
 

Desta forma, a oferta formativa da AEP procura responder às necessidades de qualificação de ativos e empresas com o imediatismo que o presente exige. Os blocos formativos dinamizados por Formador são cada vez mais condensados, mas deixando espaço para a componente de autoformação, respeitando o ritmo e a disponibilidade de cada um e, simultaneamente, incutindo maior responsabilização, capacidade de iniciativa e espírito crítico, competências reconhecidas pelas empresas e organizações.

Para acompanhar a transformação digital é necessária uma combinação de fortes competências cognitivas (matemática e literacia), juntamente com competências em matéria de resolução de problemas, assim como competências não cognitivas e sociais (ex. comunicação e criatividade). Como tal, a diversificação das estratégias pedagógicas utilizadas nas ações de formação da AEP é cada vez mais estimulante.

Ressalvamos que, identificada a necessidade de competências de compilação e análise de informação, comunicação em redes sociais, utilização de plataformas de comércio eletrónico, gestão do produto, entre outras, ampliamos a oferta formativa na temática digital para diferentes níveis de proficiência.

De registar também que atendendo a que uma das formas de entrada dos jovens no mercado de trabalho é pela via do Empreendedorismo, com a criação do próprio emprego, a AEP já tem muitos passos dados no sentido de apoiar esta franja da sociedade tendencialmente marcada pelo fenómeno do desemprego, através do treino em modelos de negócio, plano de negócio, investimento, gestão operacional, internacionalização e comunicação empresarial.

O papel central que as associações empresariais devem ter na requalificação ou reconversão profissional de ativos justifica-se porque trabalhamos com Formadores que são profissionais da área, mas com reconhecidas competências pedagógicas, e porque trabalhamos com metodologias que conferem a prática simulada que facilita a integração acelerada no contexto empresa.

Atrevo-me a sublinhar que, tal como há 170 anos, a AEP é o parceiro de referência das empresas na área da qualificação e das competências.

Luís Miguel Ribeiro
Presidente da AEP – Associação Empresarial de Portugal

 

 

Participação especial de Luís Miguel Ribeiro, Presidente da AEP

Participação especial de Luís Miguel Ribeiro, Presidente da AEP

 

As grandes tendências de recrutamento em 2021

As grandes tendências de recrutamento em 2021