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O que nos diferencia

Paula Baptista, Managing Director da Hays Portugal 1.jpg"Tem sido um enorme privilégio assistir ao desenvolvimento do mercado laboral português nos últimos 18 anos. Quando a Hays chegou a Portugal, no ano 2000, o país dava os primeiros passos de um notável processo de profissionalização e valorização do trabalho qualificado, preparando-se assim para uma fase que se adivinhava desafiante. Volvidas quase duas décadas, o sucesso das mudanças levadas a cabo são um reflexo inequívoco do talento, determinação e esforço inabaláveis de profissionais e empregadores a atuar no nosso país. 

 

Mas nada disto constitui novidade para as milhares de pessoas que, como eu, lidam diariamente com o mercado de trabalho. Tive, ao longo de todos estes anos, a oportunidade de conhecer inúmeros profissionais altamente promissores que nunca me permitiram duvidar do enorme potencial de Portugal e de tudo aquilo que poderíamos, e ainda podemos, concretizar. As previsões de recrutamento para este ano são apenas mais um dado que comprova o bom momento do país: 81% dos empregadores a atuar em Portugal pretendem contratar colaboradores em 2018. Na região Norte, este valor situa-se nuns inéditos 88%, sustentados sobretudo numa elevada procura por perfis Comerciais, de Tecnologias da Informação e de Engenharia. É, sem dúvida, um indicador de que estamos no bom caminho.

No entanto, e porque todos os percursos implicam oportunidades de melhoria, é importante que saibamos reconhecer quais são as nossas, enquanto coletivo. Questionámos mais de três milhares de profissionais qualificados e descobrimos níveis de insatisfação muito consideráveis em fatores fundamentais como a progressão de carreira, prémios de desempenho,  comunicação, formação e pacote salarial. Esta insatisfação torna-se ainda mais evidente quando comparamos a realidade nacional com a de quem se encontra no estrangeiro: os profissionais atualmente emigrados revelam níveis de satisfação muito superiores em praticamente todos os fatores. Que implicações poderão ter estes dados na estrutura das empresas? Qual o eventual impacto na motivação e produtividade dos colaboradores? São, sem dúvida, questões relevantes para empregadores preocupados com a retenção dos seus melhores talentos.

 

Guia do Mercado Laboral 2017 1.png"81% dos empregadores a atuar em Portugal pretendem contratar em 2018"    

 

A crescente indisponibilidade dos profissionais qualificados para uma mudança efetiva de emprego é outro dado que deve ser tido em conta. Esta falta de interesse, associada à insatisfação referida anteriormente, parece apontar para uma situação de inércia de colaboradores que se encontram claramente descontentes com a sua carreira, mas não o suficiente para motivar uma procura ativa por novas oportunidades. Num mercado onde são cada vez mais os empregadores a querer recrutar e cada vez menos os profissionais a procurar emprego de forma proactiva, as empresas terão de se apresentar ao seu melhor nível para conseguirem atrair estes candidatos insatisfeitos mas hesitantes. Para isso, deverão ter em conta dois fatores importantes:

  • O pacote salarial tem sido o principal motivador de recusa de ofertas de emprego nos últimos anos. Urge repensar os níveis salariais praticados e adequar as propostas à dinâmica atual do mercado português, de modo a que sejam atrativas para o candidato mas também sustentáveis para as empresas.
     
  • É fundamental uma nova abordagem nas estratégias da atração de talento. Anunciar oportunidades de emprego e esperar resultados imediatos já não é suficiente; há que construir uma relação de confiança e de longo prazo com potenciais candidatos, através de diferentes tipos de comunicação e plataformas.


Acredito, também, que parte da solução para estes desafios naturais do mercado de trabalho passará precisamente por algo que nos diferencia, enquanto país: a nossa excecional capacidade de adaptação e criatividade, mesmo perante as mais inacreditáveis limitações de meios e recursos. Enfrentámos recentemente uma das piores crises das últimas décadas e provámos que conseguimos repensar o nosso rumo de forma criativa e inovadora, movidos pela humildade de quem sabe que existe sempre margem para fazer mais e melhor. Imagine-se, então, onde poderemos chegar quando o ambiente económico nos é favorável. Tudo depende de nós.

À semelhança do que tem acontecido ao longo dos últimos anos, a Hays continuará a trabalhar para este objetivo nacional junto de empresas e profissionais qualificados de todos os setores, enquanto verdadeiro parceiro de consultoria de recrutamento. Acreditamos que parte da nossa missão passa por ajudar a identificar as tendências que moldam o mundo do trabalho e impactam a economia, por isso produzimos todos os anos este Guia do Mercado Laboral com informação atualizada e relevante para o mercado.

O nosso muito obrigado a todos os que, com o seu contributo, tornaram possível mais esta edição bem sucedida."

 

Paula Baptista

Managing Director da Hays Portugal