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Perder por medo de ganhar

Paula Baptista, Managing Director da Hays Portugal 1.jpgSomos naturalmente desconfiados. Seja por tradição, memória histórica ou outro motivo, os Portugueses tendem a duvidar de boas notícias. Não que sejamos pessimistas, mas encaramos otimismo como algo ilusório, porque sabemos que não dura. E se, por mero acaso, durar, desconfiamos mais ainda. 

Não que estejamos errados. Taxas de desemprego de 6% não são, de facto, permanentes. Destinos turísticos podem passar de moda. Exportações dependem de quem importa. E uma economia eternamente estável existe apenas em livros que terminam com “e viveram felizes para sempre”. Portanto, parece-me razoável que sejamos sensatos e responsáveis, enquanto decisores e profissionais num mercado de trabalho em constante mudança. 
 
O problema surge quando, neste processo de nos salvaguardarmos daquilo que pode correr mal, deixamos passar ao lado oportunidades que provavelmente seriam a nossa garantia de estabilidade em momentos conturbados. Adiamos planos de crescimento por receio de um abrandamento futuro, sem considerar que ganhar quota de mercado hoje nos daria sustentabilidade para enfrentar as quebras de amanhã. Evitamos reforçar equipas no imediato, sabendo que perderemos o talento que nos traria as ideias certas para resolver problemas que estão por vir. Prudência é boa e recomenda-se. Mas perder por medo de ganhar, traz-nos apenas a certeza de uma derrota anunciada.
 
Olhando para os dados desta nova edição do Guia do Mercado Laboral, o facto é que temos boas notícias – gerem a desconfiança que gerarem. E ocorre-me que a sombra de uma eventual crise dentro de alguns anos nos possa impedir de tirar o máximo partido das potencialidades do momento atual. Pela primeira vez em vários anos, verificamos um aumento na percentagem de profissionais que pretendem mudar de emprego. Enquanto isso, mantém-se a percentagem de empresas que pretendem recrutar. As condições perfeitas para um mercado de trabalho dinâmico, portanto. Saberemos aproveitar esta conjugação perfeita de fatores?
 
 

Guia do Mercado Laboral 2017 1.png"Prudência é boa e recomenda-se. Mas perder por medo de ganhar, traz-nos apenas a certeza de uma derrota anunciada."     

     O aumento da vontade dos profissionais em mudarem de emprego (78%) está equivalente aos anos de crise em Portugal, de 2011 a 2013, segundo dados de inquéritos do Guia referentes a esses anos. Um dos possíveis motivos reflete-se no aumento da insatisfação de todos os indicadores tais como a perspetiva de progressão, pacote salarial, formação, chefia direta, projeto, ambiente de trabalho e situação contratual. Num mercado onde se aborda cada vez mais estratégias de retenção e criação de políticas internas é essencial ir ao encontro das reais necessidades dos profissionais, de forma a conseguir reter os melhores talentos.
     
    Estamos numa altura bastante positiva, pois não só temos mais profissionais qualificados a viver em Portugal disponíveis para mudar de emprego, como também temos mais profissionais qualificados a viver fora de Portugal a querer regressar. A imagem que tinham de Portugal melhorou e a vontade de viver em Portugal aumentou. Assim, tornou-se um país mais atrativo para voltarem a procurar emprego. Não obstante, as empresas terão de apostar em pacotes salariais mais atrativos e em projetos inovadores.
     
      
Como a Hays completa 20 anos, é impossível não olhar para trás e refletir sobre aqueles primeiros meses do ano 2000, quando um grupo de profissionais decididos quis arriscar aquilo que diziam ser impossível: um negócio de recrutamento especializado em Portugal. O mercado de trabalho era demasiado generalista, garantiam-nos os céticos. Os empregadores portugueses jamais iriam acreditar no conceito, insistiam. 20 anos depois, é com muito orgulho que partilhamos mais esta edição do Guia do Mercado Laboral, que retrata um mercado de trabalho dinâmico e cheio de oportunidades, onde a Hays procura ter um papel ativo e interventivo.
 
Como sempre, continuaremos a trabalhar com empregadores e profissionais de todos os setores, ajudando a colocar a pessoa certa no emprego certo. 
 

Paula Baptista

Managing Director da Hays Portugal