Introdução

Aprender e seguir em frente
As lições do último ano

“Desafiante” e “resiliência”. Estas foram as palavras mais escolhidas por empregadores e profissionais, de forma espontânea, quando solicitámos que definissem a sua experiência em 2020.

A verdade é que, de todos os cenários possíveis para este último ano, verificou-se precisamente aquele não esperávamos: o de uma pandemia. No final de 2019, quando a Hays lançou a anterior edição do Guia do Mercado Laboral, falava-se em Portugal sobre as potencialidades sobre uma nova revolução industrial e sobre a importância de dotar as empresas com talento que permitisse preparar o futuro. Pensar que, naquela altura, o máximo que nos preocupava era a eliminação de algumas funções por meio da automatização e o fantasma de um eventual e ligeiro abrandamento económico, faz-nos refletir hoje sobre a imprevisibilidade do mundo em que vivemos.
 
O contexto de pandemia trouxe-nos algumas lições importantes, mas reiterou também uma que já tínhamos aprendido no período de instabilidade económica de há uns anos atrás: a nossa capacidade de adaptação coletiva é extraordinária. Ao longo dos últimos meses, assistimos a uma autêntica demonstração de resiliência por parte de empresas e profissionais de todos os setores e regiões, numa tentativa de ultrapassar (ou, no caso de alguns setores, apenas sobreviver) a esta fase menos positiva que todos enfrentamos. Desde a implementação de modelos de teletrabalho em tempo recorde, até à diversificação na oferta de produtos e serviços para fazer face às necessidades do mercado atual, o esforço foi impressionante.
 
Outra coisa que este ano nos veio relembrar foi a importância de não nos deixarmos paralisar pela incerteza e de nos guiarmos por factos e dados que nos permitam traçar uma estratégia e seguir o nosso rumo. Vamos, então, a esses factos:

"A maioria das empresas não tem qualquer intenção de parar de dotar as suas estruturas com o talento de que tanto necessitam."

  • 75% dos empregadores afirmam que pretendem recrutar em 2021. Esta percentagem, ainda que inferior à de 2020, é surpreendentemente positiva se tivermos em conta que ultrapassa as previsões que os empregadores indicaram em anos de crescimento como 2016 ou 2017. Confirma-se, assim, que a maioria das empresas não tem qualquer intenção de parar de dotar as suas estruturas com o talento de que tanto necessitam.
     
  • Entre os motivos mais referidos pelos empregadores para as contratações em 2021, destacam-se o crescimento do negócio em território nacional, mas também a recuperação do negócio no período pós-Covid19. Podemos concluir, assim, que maioria das empresas acreditam numa eventual recuperação e crescimento que permita estas contratações. Perfis da área Comercial, de Tecnologias da Informação, de Engenharia e de Marketing serão os mais procurados.
     
  • A motivação dos colaboradores foi o fator mais referido pelos empregadores no que concerne a garantir a produtividade em 2021. No entanto, a grande maioria dos profissionais qualificados revela insatisfação em fatores que poderão impactar esta produtividade, tais como: perspetivas de progressão, prémios de desempenho e pacote salarial. Talvez por isso, a percentagem de profissionais que pretendem mudar de emprego aumentou para 79%, o valor mais alto desde 2014. Ainda assim, cerca de metade destes profissionais não procurarão uma mudança de forma proativa.
     
  • A flexibilidade em modelos de trabalho remoto é outro fator muito referido pelos empregadores com vista à produtividade este ano, um sinal de que esta nova realidade veio para ficar. No entanto, a aplicação destes modelos de trabalho está ainda pouco definida para cerca de metade das empresas, sendo implementada consoante as necessidades. Apenas o tempo permitirá perceber se será necessária essa definição, ou se os seus principais atores (profissionais e empregadores) conseguirão encontrar gradualmente um equilíbrio que funcione para ambas as partes.

Como sempre, a Hays continuará a ter um papel ativo nesta nova era do trabalho, procurando ajudar profissionais e empregadores a enfrentar os desafios atuais e os que que certamente surgirão.

Agradecemos a todos aqueles que continuam a confiar no nosso trabalho, bem como aos que, com a sua participação, tornaram possível mais esta edição do nosso Guia do Mercado Laboral.

Paula Baptista
Managing Director da Hays Portugal

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