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Paula Baptista, Managing Director da Hays Portugal 1.jpg"Portugal está a viver um momento extraordinário. Esta é a máxima que se ouve e sente um pouco por todo o país, sempre que se discutem acontecimentos recentes e perspetivas para o ano 2019.

 

A ausência de conflitos relevantes a nível nacional e o bom momento económico e social têm-nos posicionado como um oásis de estabilidade, extremamente apelativo para o desenvolvimento de projetos inovadores e a atração de investimento estrangeiro. Não me recordo, na história recente, de ver semelhante nível de energia transformadora no nosso país – o talento, já o tínhamos anteriormente; faltava-nos a confiança.

O aumento desta confiança tem sido notório nas tendências do mercado de trabalho dos últimos dois anos e as perspetivas para 2019 são as melhores. Nos inquéritos que realizámos a mais de 600 empregadores a atuar em Portugal, ficou patente o otimismo perante os meses que se avizinham; seja nas elevadas perspetivas de recrutamento, que atingem um novo máximo este ano, apoiadas sobretudo no crescimento das empresas em território nacional; seja na percentagem de empregadores que acreditam que este será um ano de estabilidade ou até melhor que o anterior, no que respeita ao clima económico. 
 
No entanto, 2019 será também um ano em que se farão sentir as naturais dores de crescimento de um mercado de trabalho dinâmico e competitivo. A dificuldade na identificação de talento tem vindo a criar constrangimentos sérios nas empresas: 65% dos empregadores tiveram de optar por contratar profissionais pouco adequados às necessidades das funções que tinham em aberto e 26% das empresas sofreram mesmo algum tipo de quebra na performance ou resultados esperados, devido a dificuldades no recrutamento. O facto de 52% dos profissionais qualificados no ativo terem recusado ofertas de emprego em 2018 é um claro indicador de que algo está a falhar. O fator salarial parece ser, de acordo com estes profissionais, o que mais tem contribuído para esta enorme percentagem de recusas.
 
 

Guia do Mercado Laboral 2017 1.png"Seremos atrativos para os profissionais que saíram do país quando formos igualmente atrativos para os que ficaram."    

 

Deste modo, um dos desafios que certamente marcará este ano será o da adaptação a um mercado liderado pelo candidato. A passividade dos profissionais na procura de oportunidades de carreira, associada às consequências da enorme fuga de talento qualificado para o estrangeiro durante o período mais crítico da crise, exigem ações imediatas, sob pena de perdermos as oportunidades únicas que Portugal apresenta neste momento.

    É urgente que as empresas nacionais procurem acompanhar, dentro das suas possibilidades, os exemplos mais atrativos do mercado. Centenas de empresas estrangeiras estão a entrar no país, apresentando uma estratégia de employer branding sólida e uma oferta salarial acima da média. Naturalmente, muitos empregadores têm ainda bastante presentes os cortes e reduções estruturais que foram necessários entre 2012 e 2015, o que tem criado algum receio de aumentar significativamente o peso dos custos fixos associados a remunerações e o investimento em benefícios. Este é, no entanto, o momento de crescer e de apostar em talento, sob pena de perda de vantagem competitiva.
     
    Portugal precisa de valorizar a experiência. Temos talento sénior de altíssima qualidade e que, de acordo com os resultados do nosso inquérito, demonstra disponibilidade para assumir projetos de gestão de cariz temporário com objetivos de implementação e de performance bem definidos. Muitos não conseguiram ainda uma reintegração no mercado de trabalho, o que constitui um enorme desperdício de conhecimento para o país. Algo a considerar por parte de organizações que, tendo reforçado recentemente as suas estruturas com academias e programas de estágio orientados para recém-licenciados, necessitam de pontos de vista mais experientes para contrabalançar o peso das equipas jovens.
     
    Seremos atrativos para os profissionais que saíram do país quando formos igualmente atrativos para os que ficaram. Reduzir a carga de impostos não será suficiente para trazer de volta os emigrantes; ainda que 78% demonstrem interesse em regressar, para a esmagadora maioria uma eventual redução no IRS teria pouco ou nenhum impacto na decisão. 72% referem também que o pacote salarial seria o fator que mais influenciaria o regresso. A valorização salarial do emprego qualificado em Portugal e a aposta em projetos inovadores serão a chave para a atração de talento, venha ele de onde vier.
     
Este Guia do Mercado Laboral apresenta-se como mais um contributo para a discussão destes e de muitos outros desafios. Acreditamos que parte da nossa missão enquanto empresa de consultoria de recrutamento passa por ajudar a identificar as tendências que moldam o mundo do trabalho e que impactam a economia a nível nacional.
 
Como sempre, continuaremos a trabalhar junto de empresas e profissionais de todos os setores, ajudando a colocar a pessoa certa no emprego certo. Agradecemos a todos aqueles que, com a sua colaboração, tornaram possível esta edição do Guia do Mercado Laboral."
 

Paula Baptista

Managing Director da Hays Portugal